quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Os dias já se tinham somado e ultrapassado uma semana desde a última caçada bem sucedida. Prostrado sob uma força que se alimentava da que se ia dissipando do seu corpo, o leão jazia imóvel no chão. 
O sussurrar do vento a acariciar o capim seco foi de súbito invadido por um rosnar estranho. O leão reconheceu o som. Era o mesmo que antecedera a destruição do seu primeiro clã.
A carrinha aproximou-se e parou. O leão ergueu-se e sentou-se. Ao olhar para o felino era possível ver o seu estado degradado, com a pele já a colar-se às costelas e a juba rarefeita; ou então ver a sua pose serena, orgulhosa e dignificada. Mas era difícil assimilar o contraste provocado pela existência de ambas as realidades num mesmo instante.
Um homem saiu da carrinha com um esgar a contrair-lhe o rosto e começou a encurtar distância entre os dois. Impassível, o leão observava o homem que com uma das mãos oferecia a cabeça de um carneiro, mas que com a outra segurava uma corrente.